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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Campo da Real Tapada: Maio de 1790


No Campo da Real Tapada, na Ajuda, (referido também como de Alcântara) teve lugar de 20 a 30 de Maio de 1790 um exercício, ou brinco militar, como se dizia popularmente, onde se reuniram várias unidades, de infantaria e artilharia, sob o comando do tenente-general Luís António Guilherme de Valeré [Guillaume Louis Antoine de Valleré, 1727-1797, na foto, em cima]. 

Transcrito pelo ContAlm Celestino Soares nos seus Quadros Navaes, apresento uma descrição do campo de manobras da Real Tapada, na Ajuda. Antes, algumas observações que podem ajudar à compreensão do texto.

Na verdade, a descrição versa apenas sobre as manobras do Regimento de Infantaria de Minas (depois de Freire, de Lisboa, o futuro infantaria 4) e o 1.º regimento da Armada (que dá origem, com o 2.º, à Brigada Real de Marinha, em 1797, e ao Regimento de Infantaria de Lisboa, em 1801). 

Antes das manobras, o tenente general Valeré recebeu algumas instruções para as movimentações em brigada. A indicação que após a saída de Minas e do 1.º da Armada deste campo, o mesmo seria ocupado pelo Regimento de Infantaria de Setúbal, pelo que é de imaginar que o campo foi usado no adestramento dos vários regimentos do Governo d’Armas da Corte, com fortes preocupações de adestrar as movimentações de brigadas.

Fica a pequena coincidência que são membros do 2.º Regimento da Armada Real que vêm a formar o Regimento de Infantaria de Lisboa, o 24.º da infantaria de linha portuguesa, para permitir 12 brigadas completas, conforme a doutrina de 1801, com 4 batalhões cada.

Brinco
As manobras, especialmente as que ocorreram a 10 de Maio, consistiram na tomada de um reduto, construído para o efeito, por uma brigada, com uso das companhias de granadeiros (então 2 por regimento – em 1796, a segunda delas é substituída pela de Caçadores) como uma espécie de infantaria ligeira, na vanguarda. É de destacar a muito pormenorizada descrição do reduto que foi construído, com termos muito especializados, dando conta também do forte trabalho técnico que a artilharia e a engenharia vinham fazendo um pouco por todo o país.

Três meses depois, é organizado o Campo da Porcalhota [LER MAIS], com 2 brigadas de infantaria e uma de cavalaria, mais artilharia de Estremoz e da Corte.
Nos anos seguintes, a da Charneca de Sintra, em 1793 (presumivelmente com os 6 regimentos que constituíam o Exército Auxiliar ao Roussilhão) e finalmente o campo do Quadro, próximo da Azambuja, em 1798, onde as companhias de caçadores (criadas em 1796) fazem a sua estreia operacional, organizados em dois batalhões provisórios, prenúncio do seu uso posterior, após 1808.
Falaremos destas noutra ocasião.

TRANSCRIÇÃO

Primeiro campo de manobras, Lisboa, 18 de Maio de 1790 (cópia) – Havendo-se assignalado o sitio de Belem para ponto de reunião da Brigada composta dos dous Regimentos de infanteria de Minas e primeira Armada que, com dous destacamentos dos Regimentos de Artilheria da Côrte e Estremoz deviam acampar na Real Tapada d’Ajuda ás ordens do Tenente General Guilherme Luiz Antonio de Valeré: marcharam elles com effeito a 24 de Abril pela manhã para o dito sitio. Alli se formaram em columna, na frente da qual marchava o Quartel Mestre General do Campo, o Sargento Mór Engenheiro Theodoro Marques, com os seus ajudantes, e após estes os Porta-machados do Regimento de Minas, seguidos do General do Campo, com seu Ajudante General, e consecutivamente o Brigadeiro D. Francisco Xavier de Noronha, com o Sargento Mór e Ajudante da Brigada; aos quaes todos precedia o destacamento d’Artilheria d’Estremoz com o seu parque. Seguia-se logo o Regimento de Minas, levando entre as suas Companhias de Granadeiros os Artilheiros, que servião duas peças de calibre de 3: e o destacamento de Artilheria da Côrte, com o seu parque, que constava de 8 peças de calibre de 6, e 2 obuzes: e em ultimo lugar hia o Regimento da primeira Armada com outro Corpo d’Artilheria tambem aos lados. 

Nesta forma subio toda a Brigada pela calçada d’Ajuda para ser vista por S. M. e AA. que a esperavam na janellas do Paço; e tendo entrado na Real Tapada, ahi se acampou em huma só linha, da mesma fórma que marchára, menos o corpo avançado d’Artilheria d’Estremoz que se postou em huma eminencia que domina aquelle lugar. Todos os dias que decorreram até 10 de Maio, em que se havia de executar o ataque, e tomada de hum reducto, construido na frente do primeiro acampamento, se empregárão na limpeza e regulação do Campo, e na direcção, e construcção de duas Flexas, que cubrião as frentes das guardas do Campo dos dous Regimentos d’Infanteria, e no exercicio pratico do serviço do Campo. Cada hum dos ditos Regimentos teve a honra de manobrar na presença das Pessoas Reaes, não só unidos, mas tambem separados; S. M. se dignou sempre de mandar agradecer aos Officiaes e Officiaes inferiores o desvelo que mostravão por satisfazer as suas respectivas obrigações.

N’aquelle meio tempo pois foi construido o sobredito reducto, ao qual se fizerão dous redentes, cobrindo-se a cortina que medeava entre elles com hum revelim, pelo qual tambem era defendida a entrada do mesmo reducto, que se guarneceo com cavallinhos de friza, tendo, aonde se julgava havia de ser atacado, seu parapeito, banqueta, berma, fosso, estrada cuberta e explanada: e explicado o uso de cada huma destas partes de fortificação em geral aos soldados que as defendião, se procedeo no dia 10 ao ataque, pelo modo seguinte.

Formados os Regimentos em batalha no segundo Campo, para onde precedentemente tinhão marchado, de cada hum delles se destinou por Companhias hum certo numero de praças que havião de ser os defensores do reducto, e em quanto estes se dirigião para a sua fortificação, marchavam os atacantes em tres columnas em ordem inversa á roda de toda a Tapada pra o lugar do ataque, havendo-se separado as Companhias de Granadeiros dos dois Regimentos para cubrirem as frentes das duas columnas. N’esta forma marchárão até encontrarem os postos avançados da guranição, que sendo desalojados pelas Companhias de Granadeiros, se retirávão em boa ordem para o interior da Praça. Protegidas as columnas, que marchávão na rectaguarda, pelos granadeiros, tiverão ellas tempo para se desenvolver, e formar em batalha no terreno que rodeava a fortificação; e immeditamente em ordem graduada atacárão a esta segundo as direcções das capitães dos redentes, avançando sempre até cubrirem a frente dos Granadeiros, os quaes para divertirem os sitiados, forão ataca-los pela direcção que fazia o angulo saliente da parte oriental; ajudou este estratagema os ataques formalisados, de sorte que então foi entrada a Fortaleza, sem que perdesse o acordo o seu commandante o capitão de minas D. Fernando Antonio de Noronha, pois o teve para se retirar em boa ordem até à eminencia que primeiramente occupára a artilheria d’Estremoz, sem embargo de o terem perseguido em toda a retirada, os granadeiros, que para este fim havião rodeado todo o contorno da fortificação.

Acabado este ensaio militar, passárão as tropas por diante de S. M. e AA. que, com huma grande multidão de pessoas da primeira nobreza, e outras gerarchias, estivérão presentes a este divertido espectaculo, por motivo do qual acudio igualmente immenso povo. Hé inexplicavel o contentamento que n’essa occasião mostrárão as pessoas reaes: tanto assim que, depois de terem os differentes corpos chegado ao terreno dos seus acampamentos, quizérão S. M. e AA. por bondade sua, testemunhar-lhes com carinhosas demonstrações de gosto a satisfação  que lhes causára o acerto com que acabavão de manobrar. N’aquelle dia não houve hum só accidente que perturbasse a alegria geral: o que assás prova o grande acordo dos officiaes nos seus mandamentos, e a boa vontade dos soldados na sua obediência. O general do campo agradeceo depois, em nome da rainha, aos officiaes o bem que tinhão servido n’este ensaio, expressando que a maior gloria de hum soldado era ver que o seu soberano se mostrava contente do seu bom serviço.

O dia seguinte, 11 do corrente, se empregou em reciprocos cumprimentos, despedindo-se os officiaes huns dos outros com uma cordealidade e ternura, de que talvez ha poucos exemplos entre os corpos militares. E depois de terem os dois Regimentos enfeitados os seos chapeos com ramos colhidos n’aquelle sitio, segundo a vontade de S. A. R. o principe N. S. sahio d’ali a brigada para se restituir aos seus respectivos quarteis, offerecendo huma divertida vista e ar de alegria com que voltávão os dois regimentos, seguidos de hum grande numero de carros todos enramados com as suas respectivas bagagens. Na tapada fórão elles revezados pelo regimento d’infanteria de Setubal.

Fonte: Quadros Navais, pp. 93-95


* * *

Em Maio de 1789, um ano antes, tinha havido na mesma tapada vários exercícios militares
O órgão oficial da corte, a Gazeta de Lisboa, publicou notícias desse campo de manobras.

LISBOA 26 de Maio.
Havendo a nossa Corte determinado que os Regimentos da Guarnição dessa capital , menos os de embarque, com os de Cascaes e Setubal, se acampassem dous a dous alternadamente em bellica disposição na Real Tapada, no dia 18 do corrente huma Brigada, composta dos Regimentos d'Infanteria de Peniche, e Albuquerque, e hum Destacamento de Artilheria, com 4 canhões, e 2 obuzes, depois de ter , com aquelles nos intervallos dos Regimentos , e estes nos lados, passado por baixo das janellas do Real Palacio d'Ajuda, aonde se achavão S.M. e AA., assentou o seu arraial, com esta mesma formalidade, no lugar indicado, debaixo do mando d'Antonio Franсо d'Abreu, Coronel do primeiro dos sobreditos Regimentos. No dia 22, achando-se ahi toda a Brigada formada em batalha, S. M. e AA. passarão pela frente, e forão recebidas com tres descargas geraes de mosqueteria e artilheria. O Principe N. S. depois andou examinando todo o campo com muita miudeza, e entrou a pé nas fileiras, mostrando por este modo que não he menos instruido na Arte Militar do que nas outras sciencias, a que se tem applicado com grande fruto. Tão satisfeito ficou S. A. R. de ver os bem executados movimentos da referida Brigada , que deo huma grande porção de dinheiro para se repartir pelas Tropas: acção que caracteriza a singular generosidade de que he dotado.
(Gazeta de Lisboa, n.º 21, 26 de Maio de 1789.)


LISBOA 12 de Junho.
Tendo S. M. e AA , e toda a Corte no dia 8 do corrente de tarde concorrido á Tapada Real, aonde se achava disposta para levantar o campo a Brigada formada dos dous Regimentos de Peniche e Albuquerque, entrou ahí ás 5 horas a segunda , destinada para a revezar, comporta dos Regimentos de Cascaes e Lippe; e depois de terem ambas estas Brigadas, após huma salva d'artilheria, dado as competentes descargas de alegria , sahio a primeira para se recolher aos seus respetivos quarteis , e a segunda procedeo logo a formar o seu acampamento. A assistencia da Real Familia, e da primeira Nobreza que a acompanhava , como tambem a boa ordem das tropas, tornárão esta militar scena summamente brilhante
e vistosa.

(Gazeta de Lisboa, Suplemento ao n.º 23, 12 de Junho de 1789.)


* * *

Ordem de Batalha

General do Campo
Tenente General Guilherme Luiz Antonio de Valeré

Quartel Mestre General do Campo
Sargento Mór Engenheiro Theodoro Marques

Brigada de Infantaria
Brigadeiro D. Francisco Xavier de Noronha 
- Regimento de Infantaria de Minas (Lisboa) *
- 1.º Regimento de Infantaria da Armada **

- destacamentos dos Regimentos de Artilharia da Corte e de Estremoz.

Forças Oponentes (Reducto)
Capitão D. Fernando Antonio de Noronha

* * *

Notas

* O futuro Regimento de Infantaria n.º 4, em 1806, começou por ser o Terço Novo da Côrte em 1659, tendo tomado, ao longo da sua história, o nome de alguns dos seus comandantes: Marquês de Minas, Conde do Prado, Gomes Freire. 
** Extinto em 1797, muitos dos seus quadros, assim como do 2.º regimento da Armada, foram integrados na Brigada Real de Marinha. Os restantes entraram no novo Regimento de Infantaria de Lisboa, depois n.º 10, quando o mesmo foi criado em 1801, como 24.º regimento da linha, de forma a permitir o embrigadamento de todos os corpos.

* * *

Bibliografia

- SOARES, Contra Almirante Joaquim Pedro Celestino, Quadros Navais (VII Parte), Col. Documentos n.º 12, Ed. Ministério da Marinha, Lisboa, 1973. pp.91-93

sábado, 23 de dezembro de 2017

Campo da Porcalhota: Setembro e Outubro de 1790


Com vista a reunir as forças militares do governo d’armas da Corte (Lisboa) e adestrá-las, realizou-se um campo de manobras na Porcalhota (hoje, o centro da Amadora), entre 23 de setembro e 22 de outubro de 1790, comandado pelo marechal de campo (hoje, major general) conde de Oeynhausen, Karl von Oyenhausen-Gravenburg (1739-1793) [na foto em cima]

A revolução francesa ainda incipiente na sua direção alterava o equilibrio europeu e inspirava o Exército Português a preparar-se para o que aí viesse. Este campo, assim como o realizado no Campo da Real Tapada, em Alcântara, em maio do ano anterior, fez ressurgir o hábito após algumas décadas, desde o último em Olhos de Água, em 1767. O bom hábito repetir-se-á em 1798 na Azambuja, com números nunca vistos de tropas envolvidas, em 1802, na Azambuja, e em 1806, em Vila Viçosa.



Com base na publicação desta descrição nos Quadros Navais do contra almirante Celestino Soares, adaptou-se o texto à ortografia moderna onde essencial à boa leitura, assim como notas essenciais para a identificação dos intervenientes e unidades:

Campo de manobras na Porcalhota, 23 de setembro [de 1790], (copia). – «Tendo-se por ordem suprema determinado que houvesse hum novo ensaio militar no campo da Porcalhota, no qual entrassem os regimentos de cavallaria de Mecklemburgo, e Castello Branco, e os de infanteria de Lancastre, Peniche, Lippe e Cascaes, com dois destacamentos dos de artilheria da côrte, e Estremoz, para manobrarem debaixo do mando do marechal de campo conde de Oeynhausen: ante ontem pela manhã se acampou ali este corpo de exercito depois de terem os regimentos de Mecklemburgo, Lippe e Cascaes, puxados pelo dito marechal, passado pelo real palacio de Queluz para serem vistos por S[ua]. M[ajestade]. e AA[altezas]., que depois se dignaram de vir ao campo para ver ali formada esta tropa, a qual logo que as reaes pessoas se retiraram procedeu a armar barracas.

26 de setembro: Depois que no dia 23 de setembro se acampou na Porcalhota debaixo do mando do marechal de campo conde de Oeynhausen, o primeiro corpo de exercito, dividido em tres brigadas, huma composta dos regimentos de Mecklemburgo e Castello Branco, commandada pelo brigadeiro João d’Ordaz de Queiroz (que desde o dia 25 de setembro ficou subdivivida em duas, huma commandada pelo dito brigadeiro, e a outra pelo brigadeiro conde de S. Lourenço) e duas d’infanteria, a da direita composta dos regimentos de Cascaes e Peniche, commandada pelo brigadeiro D. Francisco Xavier de Noronha, e a da esquerda, composta dos regimentos de Lippe e Lancastre, commandada pelo brigadeiro Luiz de Miranda Henriques, com o parque d’artilheria, commandado pelo sargento mór Henrique de Chateauneuf: os primeiros dias se empregárão na limpeza e regulação do campo.  

No dia 28 se formou esta tropa em linha de parada, para esperar a chegada de S. M. e AA. depois do que fez a infanteria fogo de alegria.
  
No dia seguinte trabalhou a brigada de cavallaria, e no primeiro de outubro a segunda das d’infanteria. 

A 5 se executou a primeira manobra geral, cuja supposição era que o inimigo vinha atacar a frente do campo, depois de ter constrangido todos os pontos avançados a recuar, e que a tropa devia recobrar todos os seus postos acoçado que fosse o inimigo, julgando-se inatacaveis os flncos do campo. 

Nos dias 6 e 8 trabalharam as brigadas separadamente.  

No dia 9 houve outra manobra geral, em que se moveo o exercito por columnas para tomar huma posição parallela ao lado em que se esperava a marcha das forças inimigas. No dia 12 houve um exercicio de todo o corpo de exercito.  

A terceira manobra geral se executou no dia 16, depois de se ter o campo augmentado com os dois regimentos de cavallaria de Caes e Alcantara: suppunha-se n’esta manobra que o inimigo estava postado no terreno entre Carenque e Ponte-Pedrinha, e que o general queria d’ali lança-lo fóra para formar no mesmo sítio o seu campo. Todas estas manobras, a que S. M. e AA. assistirão, com huma grande multidão de povo, se executárão completamente, da mesma sórte que os outros exercicios; e no dia 22 se levantou o campo.  


Em quanto durou foi S. M. servida mandar, desde 25 de setembro, duas vezes por semana, dar huma ração de tres quartas de carne e huma de arroz a todos aquelles que recebião pão da real fazenda, e desde o primeiro dia pão e ração extraordinaria aos cirurgiões e ajudantes dos seis primeiros regimentos, e soldo dobrado aos alferes, tenentes e capitães, dos mesmos.»

Fonte: Quadros Navais, pp. 93-95


* * *

Ordem de Batalha

Comandante
Marechal de campo Conde de Oeynhausen

Brigadas de Cavalaria
(Brigadeiros João d’Ordaz de Queiroz + Conde de S. Lourenço)
- Regimento de Cavalaria de Mecklemburgo [n.º 4, pós 1806]
- Regimento de Cavalaria de Castelo Branco [n.º 10, pós 1806]
- Regimento de Cavalaria do Cais (Lisboa) [n.º 7, pós 1806]
- Regimento de Cavalaria de Alcântara [n.º 1, pós 1806]

Brigada de Infantaria da Direita
(Brigadeiro D. Francisco Xavier de Noronha)
- Regimento de Infantaria de Cascais [n.º 19, pós 1806]
- Regimento de Infantaria de Peniche [n.º 13, pós 1806]

Brigada de Infantaria da Esquerda
(Brigadeiro Luiz de Miranda Henriques)
- Regimento de Infantaria de Lippe (Lisboa) [n.º 1, pós 1806]
- Regimento de Infantaria de Lencastre (Lisboa) [n.º 16, pós 1806]

Para as manobras foram formados 2 batalhões de Granadeiros, tirados dos regimentos de infantaria. 

Parque de Artilharia
(Sargento Mor Henrique de Chateauneuf)
- destacamentos dos Regimentos de Artilharia da Corte [n.º 1, pós 1806] e de Estremoz [n.º 3, pós 1806], formando um corpo de 3 companhias de artilheiros, com o seguinte material: uma peça de 12, 6 de 6, e 12 de campanha de 3, 2 obuses e l morteiro.

EFETIVOS TOTAIS: 4,214


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Bibliografia

- GUIMARÃES, J. Ribeiro, Summario de varia historia: Narrativas, lendas, biographias, descripcões de templos e monumentos, estadisticas, costumes, civis, politicos e religiosos de outras eras (Volume 4), Rolland & Semiond, 1874. pp. 166- 178;

- SOARES, Contra Almirante Joaquim Pedro Celestino, Quadros Navais (VII Parte), Col. Documentos n.º 12, Ed. Ministério da Marinha, Lisboa, 1973. pp. 93-95

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Apontamentos: Austerlitz no Alentejo



Austerlitz no Alentejo
O Brinco do Monte da Aboboreira

Narrativa histórica, interligando o brinco, a batalha de 1805 (Austerlitz) e o ponto de carreira de Lecor, tenente coronel.

conceito
Referir uniformologia, fardas da LTL, últimas utilizações da farda pré 1806. Usar livremente técnicas de romance, sempre que possível com forte base histórica (preferencialmente, sempre)


18.1.1806 – (ESPANCA, 1862:begin) D. João e corte chegam a Vila Viçosa. De Évora, por Bencatel e entrando pela Porta de S. Luzia . É provável que tenham ido à Matriz, ver a padroeira de Portugal antes de entrar no Palácio Real. Ficam até 22 de Abril, três meses! O marquês de Alorna mudou para ali o quartel general do seu Governo de Armas.

Lecor poderá ter vindo com o PR, pois estaria em Lisboa a comandar interinamente a Legião, até que Wiederhold tomasse o comando. Faz todo o sentido. Aliás, os cronistas do brinco todos o põem como AdC junto com Carché (Bocaciari?).

Desde que foi nomeado capitão em 1797, até ter fugido para a esquadra na Páscoa de 1808, em que era TenCor agregado, Carlos deverá ter usado o seu uniforme de capitão, Sargento Mor e Tenente-Coronel da Legião. O último seria a de TenCor de Cavalaria, dado que havia sido SargMor de Cav. Azul claro, negro e dourado.


Semana Santa muito aparatosa.
(VER! TRANSCREVER!) p.51 – música da melhor;

13.2.1806 - Quinta-feira de endoenças – episódio de D. Maria (somos iguais perante JC); lava pés a 10 pobres, com D. João.

14.2.1806 - Sexta-feira da Paixão – “foi também o Principe adorar a cruz”
D. João chamava a Vila Viçosa a sua terra.

(ouviu dizer a capelães) D. Maria I dava surras aos netos com uma correia que trazia à cintura : D. Pedro, “e muitas mais a D. Pedro Carlos, que tinha rábias de Espanhol”.

p.54: ALORNA MUDA QG. Possivelmente por causa da visita do PR, mas coincidirá com ela. Vai para a casa de Francisco Pereira, em frente aos Paços Municipais. Ali ficou até 1808 quando foi para França à frente da Legião Portuguesa, e a sua esposa mais tempo ainda. Fez bastantes melhoramentos e mais queria fazer, mas nisso não anuiu D. João, que desejava preservar as coisas no seu devido sítio (citar avó e isso) (ESPANCA, 1862:end) – ALORNA PROGRESSISTA URBANO. GENERAL “SCIENTIFICO”

19.2.1806 – BRINCO DO MONTE DA ABOBOREIRA

Além de Tapada Real de Vila Viçosa, nas immediações da Abobreira e da Herdade do castello, situada nas alturas antes de chegar à Ribeira de Mures, confluente da Ribeira d’Asseca.

Neste campo, à vista do chafariz da Atalaia, se executaram algumas manobras militares a 19 fevereiro 1806, na presença do príncipe regente D. João, simulando a batalha d’Austerlitz. Participaram os seis regimentos de Infantaria da província, assim como os três regimentos de Cavalaria e a Artilharia de Estremoz, e tudo aconteceu num só dia, as tropas retornando aos seus quartéis acabada a revista final.



1.ª LINHA (OU DIVISÃO DO NORTE) 3-20-15
Coronel António José de Miranda Henriques

- (A) 1.º Regimento de Infantaria de Olivença, ou de Mestral [Inf 3]
- (B) Regimento de Infantaria de Campo Maior [Inf 20]
- (C) 2.º Regimento de Infantaria de Olivença [Inf 15]

- (H) Regimento de Cavalaria de Elvas [Cav 8] – 2 esquadrões
- (J) Regimento de Cavalaria de Évora [Cav 6] – 2 esquadrões
- (L) Regimento de Artilharia de Estremoz [Art 3] – 1 bataria

2.ª LINHA (OU DIVISÃO DO SUL) 5-22-17
Coronel José Carcome Lobo

- (D) 1.º Regimento de Infantaria de Elvas, ou de Bastos [Inf 5]
- (E) Regimento de Infantaria de Serpa [Inf 22]
- (F) 2.º Regimento de Infantaria de Elvas, ou de Mexia [Inf 17]

- (G) Regimento de Cavalaria de Olivença [Cav 6] – 2 esquadrões
- (L) Regimento de Artilharia de Estremoz [Art 3] – 1 bataria

“Só pude descobrir hum velho no B.am de Vateranos que me disse informações, do que pretende saber, e forão por elle dadas com tanta prontidão e segurança que as devo julgar exactas, elle sendo praça d’Art.ª d’Elvas assestio a tal função”. (Carta, escrita por Chaby (?), 12.9.1863)

“N’este campo, à vista do chafariz da Atalaia, se executaram algumas manobras militares a 19 fevereiro 1806, na presença do príncipe D. João (6.º), simulando a batalha d’Austerlitz.” (Almada, 1862)
+ “Além de Tapada Real de Vila Viçosa, nas immediações da Abobreira e da Herdade do castello, situada nas alturas antes de chegar à Ribeira de Mures, confluente da Ribeira d’Asseca.” (AHM)

“O Marquez d’Alorna dirigiu as manobras, acompanhado dos ajudantes d’ordens Lecor e Carché [Bocaciari], tendo por clarim d’ordens um preto vestido com o uniforme da Legião.” (Almada, 1862)

O preto, a que se refere Almada, era clarim da Legião de Tropas Ligeiras e estava devidamente uniformizado, o azul claro, com golas e canhões negros, debruados a ouro. Uma tendência exótica na tropa decerto, muito comum entre os músicos, mas recrutados da muita população de descêndencia africana, na sua generalidade, assimilados na sociedade, portugueses eles também, cor da pele incluída. Alorna decerto o havia trazido com ele quando assumiu o governo d’armas do Alentejo.

“Junto à Asseca ha um monte que lhe chamão Castellos Velhos [Castelinho] he aonde se postou a peça que deu um tiro quando se avistou El-Rei o Sr. D. João 6.º que vinha de V.ª Viçosa a assistir ao brinco, e tambem (ver a) tropa formar e entrar nos seus lugares, aonde estava um passadiço [he a ponte de madeira] para mostrar uma passagem e ataque das tropas que passárão na Catalunha”. Elvas, 22.9.1863 (Chaby)

De acordo com a OdB da esquadra de transporte para a Catalunha, apenas o 1.º Regimento de Olivença, ou Mestral, combateu no Roussilhão e Catalunha, com 2 batalhões. Coronel João Jacob de Mestral e Tenente-coronel grad. Agostinho Eduardo Brinkin. Já em 1801, combateram ou guarneceram praças todos. VER PORMENORES

“O Principe e sua esposa foram n’um dos coches do paço, seguidos da corte, e com ella o Marquez de Ternay. O Príncipe trajava farda encarnada bordada a ouro; a Princeza também d’encarnado.[...]
A pouca distância do monte de Abebreira apearam-se suas Altezas, e cavalgaram dois formosos cavallos brancos e dirigiram-se ao dito monte, e d’alli ao do Castello-velho.
Chegando aqui deu-lhe salva toda a artilharia.” (Almada, 1862)

“No monte do Castelo Velho é que se colocou o barracão para suas Altezas. Sobre uma mesa estava o mappa do terreno e o plano de batalha.” (Almada, 1862)

“Sobre a ribeira de Mures estava construída uma ponte para ser disputada.” (Almada, 1862)
+ “A ponte de madeira foi expressamente construida sobre a ribeira de Mures, para dar passagem às tropas na ocazião da manobra” (AHM, Chaby)


Tudo isto na parte das linhas oponentes mais aproximada do Príncipe Regente e restante audiência no monte de Castelinhos onde se colocou um barracão. Dentro, sobre a mesa o mapa do terreno e o plano do brinco. O Marquês de Alorna mandou dar sinal para começar a batalha.

Na parte ocidental do campo, a mais próxima de suas Altezas Reais, iniciou-se a ação com uma companhia de caçadores do 1.º Regimento de Infantaria de Elvas reconhecendo o campo do flanco direito, encontrando-se com a companhia de caçadores do 1.º Regimento de Infantaria de Olivença, ou de Mestral.

“Começou a acção sahindo os caçadores do Regimento do flanco esquerdo D [1.º de Elvas] reconhecer o campo do flanco direito do 1.ª Regimento A [1.º de Olivença, ou Mestral] encontrárão-se com os do ditto Regimento que foram por estes repelidos [...]” (Wiederhold)

A cavalaria da divisão do Sul, 2 esquadrões de Cavalaria d’Olivença carregam para desembaraçar os caçadores, tendo a imediata resposta dos 2 esquadrões de cavalaria d’Elvas, da divisão do Norte. Deu-se então combate e, dado um sinal, todos se retiraram, começando então as duas linhas a fazer fogo; do Norte, sem ordem, e a do Sul, por quartas partes de pelotão.

O Brigadeiro Barão de Wierderhold, que nos legou a sua descrição do brinco duas semanas após este ter tido lugar, refere que “como o fogo era muito vivo por causa do demasiado fumo”, não conseguiu ver nada. Quando o fumo dissipou, estava em marcha a passagem da ponte de madeira expressamente construida sobre a ribeira de Mures.

q[uan]do extincto vio-se a segunda linha [divisão do Sul] em retirada fasendo três columnas para passarem a ponte [...]. Passou a columna do centro com 6 homens de frente e as outras duas por quartos a direita e a esquerda e logo que passaram a desfiladeiro começaram [a] metter em batalha pela Vanguarda [Wiederhold]

A peleja simulada “inflamou de tal sorte os pelajadores que muitos chegarão a carregar com pequenas pedras as Espingardas” [Annaes].
A passagem da ribeira de Mures, pela ponte e por vaus laterais, fez-se com tal calor que um oficial de artilharia de Estremoz se feriu com a espada, tal era a sua precipitação, informando-nos os Annaes de Elvas que influiu na substituição de espadas direitas por curvas.

Depois das duas divisões terem passado a ponte, “uma vencida e outra vencedora”, xxx, foram-se postar os regimentos em linha no campo a sul da ribeira e desfilaram perante o Príncipe Regente. Num cabeço junto à primeira linha, que formou junto à ponte, estava a choça de Napoleão. Depois de terem passado por S. A. R. as tropas recolheram-se aos seus quarteis.


“Dado o sinal pelo Marquês começou a Batalha, que apesar de ser um Brinco inflamou de tal sorte os pelajadores que muitos chegarão a carregar com pequenas pedras as Espingardas, e quando se afectou a passagem a Ribeira (Mures), se fez com tal calor, que um oficial do Regimento d'Estremoz (nº.3) ferido numa perna com a Espada de precipitado que ia, cujo acontecimento deu então lugar a trocarem- se as Espadas direitas pela curvas, a que depois tem sofrido repetidas mudanças.” (Annaes de Elvas)

10.3.1806 – O brigadeiro (?) Baron de Wiederhold escreve um memorial do Brinco, acompanhado de mapa:

“Postárão-se os seis regimentos em linha de Batalha como as figuras da 1.ª posição o mostrão. Começou a acção sahindo os caçadores do Regimento do flanco esquerdo D reconhecer o campo do flanco direito do 1.ª Regimento A encontrárão-se com os do ditto Regimento que foram por estes repelidos, sahiram socorrer aquelles os dous esquadrões de Cavalaria G pelos flancos do Regimento E e encontrarão-se com estes; viérão os dous esquadrões G H travou-se o combate athé certo signal ou ordem nos quatro esquadrões e as duas companhias de Caçadores que retiraram. Começárão as duas linhas a fazer fogo, a primeira linha [Divisão do Norte] sem ordem e a segunda [Divisão do Sul] por quartas partes de pelotões; como o fogo era muito vivo por causa do demasiado fumo ignoro o que se praticou, q[uan]do extincto vio-se a segunda linha em retirada fasendo três columnas para passarem a ponte ao pé da letra G. Passou a columna do centro com 6 homens de frente e as outras duas por quartos a direita e a esquerda e logo que passaram a desfiladeiro começaram [a] metter em batalha pela Vanguarda a primeira linha na retirada da segunda apareceo tendo a sua direita feito um oitavo à esquerda, de sorte que a direita ficou cobrindo o seu flanco esquerdo; passou a ponte vencido sempre fazendo fogo. A Artilheria trabalhou conforme o permettia a occasião, depois d’as duas linhas terem passado a ponte uma vencida e outra vencedora, foram no segundo campo postados os Regimentos em linha de Batalha. S. Altª R.al estava entre o flanco esquerdo da primeira linha e o direito da segunda. Esta começou a fazer quartos por pelotões a esquerda para passar pela frente do R.al S.nr e a primeira linha apoz esta por quarto à direita e a Artilheria na posição em que esta foi também fazendo os seus quartos nos lugares competentes, e depois de terem passado pela frente de S. A. R.al recolherão-se as tropas a quarteis. Em um cabeço junto à primeira linha estava a choça de Napoleão. O tempo não deo lugar a vereficar-se o que succedeo na Batalha de Austerlitz na tomada da ponte pela segunda linha vencida. B. de W (…), 10 de março”
Fonte: AHM 3-05.04-08-24

- (A) 1.º Regimento de Infantaria de Olivença, ou de Mestral [Inf 3]
- (B) Regimento de Infantaria de Campo Maior [Inf 20]
- (C) 2.º Regimento de Infantaria de Olivença [Inf 15]
- (D) 1.º Regimento de Infantaria de Elvas, ou de Bastos [Inf 5]
- (E) Regimento de Infantaria de Serpa [Inf 22]
- (F) 2.º Regimento de Infantaria de Elvas, ou de Mexia [Inf 17]
- (G) Regimento de Cavalaria de Olivença [Cav 3] – 2 esquadrões
- (H) Regimento de Cavalaria de Elvas [Cav 8] – 2 esquadrões
- (J) Regimento de Cavalaria de Évora [Cav 6] – 2 esquadrões
- (L) Regimento de Artilharia de Estremoz [Art 3] – 1 bataria

REFERÊNCIA EXPLÍCITAS A NAPOLEÃO E AUSTERLITZ
“Em um cabeço junto à primeira linha estava a choça de Napoleão. O tempo não deo lugar a vereficar-se o que succedeo na Batalha de Austerlitz na tomada da ponte pela segunda linha vencida”. (Wiederhold)

1.4.1806 – Lecor ainda em LISBOA, tomando conta da LTL até que Wiederhold tomasse comando.

19.5.1806 – Publicação. Grande reforma do exército. Início da transição. A partir de Junho, os corpos começaram a assimilar o novo regulamento. Em 1807, Gomes Freire de Andrade prefere usar os nomes antigos, apesar de serem agora em números. Poderá ser adaptação, ou contra.

14.8.1806 – VILA VIÇOSA. Lecor já com Alorna, de vez, após ter entregue a Legião a Wiederhold.


BIBLIO

- AHM
- Pe. Joaquim José da Rocha Espanca, Memórias de Vila Viçosa, ou Ensaio da História desta vila transtagana, corte da sereníssima Casa e Estado de Bragança, desde os tempos mais remotos até ao presente, segundo o que pode coligir seu autor (1862-1886)



RESTOLHO
Freguesia de Ciladas
(Próximo de Terrugem)
Na divisa entre os distritos de Évora e Portalegre. hoje em dia.

ALMADA:1889
O Principe chegou a Vila Viçosa em meados de janeiro. Saiu em meados de março para Évora por Bencatel (por onde tb chegou).

[p.11] É um outeiro que fica na estrada velha d’Elvas a Estremoz, próximo à ribeira de Mures.
N’este campo, à vista do chafariz da Atalaia, se executaram algumas manobras militares a 19 fevereiro 1806, na presença do príncipe D. João (6.º), simulando a batalha d’Austerlitz.

[p.482] Concentraram-se aqui todas as tropas da provincia:

“O Principe e sua esposa foram n’um dos coches do paço, seguidos da corte, e com ella o Marquez de Ternay. O Príncipe trajava farda encarnada bordada a ouro; a Princeza também d’encarnado.
No monte do Castelo Velho é que se colocou o barracão para suas Altezas. Sobre uma mesa estava o mappa do terreno e o plano de batalha.
(...)
A pouca distância do monte de Abebreira apearam-se suas Altezas, e cavalgaram dois formosos cavallos brancos e dirigiram-se ao dito monte, e d’alli ao do Castello-velho.
Chegando aqui deu-lhe salva toda a artilharia.
Sobre a ribeira de Mures estava construída uma ponte para ser disputada.
O Marquez d’Alorna dirigiu as manobras, acompanhado dos ajudantes d’ordens Lecor e Carché [Bocaciari], tendo por clarim d’ordens um preto vestido com o uniforme da Legião.”

(...)
Venceu a divisão do norte.
Na passagem da ribeira feriu-se n’uma perna com a espada um official do regimento d’Estremoz.

ANNAES DE ELVAS (NET)
“Dado o sinal pelo Marquês começou a Batalha, que apesar de ser um Brinco inflamou de tal sorte os pelajadores que muitos chegarão a carregar com pequenas pedras as Espingardas, e quando se afectou a passagem a Ribeira (Mures), se fez com tal calor, que um oficial do Regimento d'Estremoz (nº.3) ferido numa perna com a Espada de precipitado que ia, cujo acontecimento deu então lugar a trocarem- se as Espadas direitas pela curvas, a que depois tem sofrido repetidas mudanças. Disputado o Campo com de novo a vitória pertenceu á Divisão do Norte, e o Principe veio ao alto do Monte da Abobeira, recebeu a continência das tropas, que logo desfilaram para seus quarteis, [...]”.

UNIDADES
1.ª linha (também Divisão do Norte)
Comandante: Coronel António José de Miranda Henriques
Infantaria: Mestral, ou 1.º de Olivença [Inf 3]; Campo Maior [Inf 20]; [2.º de] Olivença [Inf 15]
Cavalaria: Elvas [Cav 8]; Évora [Cav 6].
Artilharia: uma bataria de Artilharia de Estremoz (ou Art 3)

2.ª linha (também Divisão do Sul)
Comandante: Coronel José Carcome Lobo
Infantaria: 1.º Elvas [Inf 5]; Serpa [Inf 22]; 2.º Elvas [Inf 17]
Cavalaria: Olivença [Cav 3].
Artilharia: uma bataria de Artilharia de Estremoz (ou Art 3)

João Jacob Mestral

RegInf: Bastos (1.º de Elvas) / Mexia (2.º de Elvas) / Serpa

1508 ri (1200 cada) 7200
613 rc (400 cada) 1200 uns bons 10 mil, ou próximo (errado, cada RegCav levou 2 esquadrões)

FACTO - O comandante de cada coluna era comandante de um dos regimentos da outra (o mais antigo na linha).

Claúdio de Chaby esteve no terreno a investigar este brinco. Entrevistou um veterano que assistiu e que lhe relata como se fosse ontem.
AHM

NOTAS
- Além de Tapada Real de Vila Viçosa, nas immediações da Abobreira e da Herdade do castello, situada nas alturas antes de chegar à Ribeira de Mures, confluente da Ribeira d’Asseca.
- Os corpos não estiveram acampados. Vieram e foram no mesmo dia.
- O príncipe regente veio de manhã, presenciando à manobra do Outeiro do Zambujeiro.
- “A ponte de madeira foi expressamente construida sobre a ribeira de Mures, para dar passagem às tropas na ocazião da manobra”.

Extrato de carta, escrita por Chaby (?), 12.9.1863:
“Só pude descobrir hum velho no B.am de Vateranos que me disse informações, do que pretende saber, e forão por elle dadas com tanta prontidão e segurança que as devo julgar exactas, elle sendo praça d’Art.ª d’Elvas assestio a tal função”.

Disse ele:
- não se lembra se a Cavalaria de Évora assistiu –ASSISTIU (2 esquadrões)
- Alorna, comandante
- comandantes das 2 linhas
- que a brincadeira teve lugar 4.ª feira de Sinza.

Elvas, 22.9.1863 (Chaby)
“Junto à Asseca ja um monte que lhe chamão Castellos Velhos [Castelinho?] he aonde se postou a peça que deu um tiro quando se avistou El-Rei o Sr. D. João 6.º que vinha de V.ª Viçosa a assistir ao brinco, e tambem (ver a) tropa formar e entrar nos seus lugares, aonde estava um passadiço [he a ponte de madeira] para mostrar uma passagem e ataque das tropas que passárão na Catalunha”.
(Comandantes das colunas)
(...)
Logo, o sítio em que houve a formatura foi na baixa do Outeiro do Zambujeiro junto a (...) da Ribeira d’Asseca.

(...)