domingo, 25 de junho de 2017

Apontamentos: Entrada dos irmãos na Exército e ida para o Roussilhão



ENTRADA DOS IRMÃOS NA TROPA, IDA PARA O ROUSSILHÃO (1793-1795)

ANTECEDENTES

10.3.1788 – Jorge Frederico assenta praça no Regimento de Infantaria de Faro, aquartelado em Tavira. Decerto, com o objetivo de frequentar a Aula Regimental.
10.5.1788 (erro na data?)– António Pedro assenta praça no Regimento de Infantaria de Faro.
“[...] em hum anno completou o estudo dos dezasseis livros de Bellidor e por isso foi addemetido à esplicação da fortificação de Mr Antonni [...]” (carta de Ant Pedro ao inspector (c. 1803)

16.7.1789 – Jorge Frederico e António Pedro, muito provavelmente como sargentos, passam ao Regimento de Artilharia, em Faro.

17.11.1792 – João Pedro assentou praça diretamente no Regimento de Artilharia, em Faro. ?

O SERVIÇO REAL

5.8.1793 – TAVIRA. João Pedro Lecor deslocou-se com os irmãos a Tavira, para pedir ao Capitão General dos Algarves para ir como cadete para o Roussilhão. Não lhe não falta mais para ser cadete, que a dispensa de dois ou três anos que tem a mais (Governador de Armas). O Conde de Val de Reys se lisongeia “em patrocinar os beneméritos”.

8.8.1793 – FARO Coronel Costa Cardoso mapeia as forças do seu Regimento de Artilharia do Algarve destacadas para a o Exército Auxiliador, em 3 companhias a 76 homens cada, totalizando 196, incluíndo o Ajudante Cirurgião, (nome).
8.8.1793 – [FARO] Às sete horas da tarde ficaram a bordo dos caíques, os quais imediatamente se vão chegando para a barra para sair na madrugada em direitura a Lagos (Costa Cardoso) para subir à Nau Santo António.

Carlos Frederico despede-se em Faro dos irmãos, que vão para a guerra. No final do Ver~soa, apenas dois meses depois, assentará praça de voluntário.

10.8.1793 – LAGOS. Embarcam no navio Santo António (Costa Cardoso, escrevendo 9 dias depois). A nau deu à vela às 7 da tarde (João MacDonald, escrevendo no próprio dia).


20.9.1793 – LISBOA. Anoitecer, a esquadra que transporta o Exército Auxiliar transpõe a foz do Tejo e inicia a sua viagem à Catalunha.

José António da ROSA descreve a viagem de um dos transportes da brigada de artilharia – Navio “Trovoada Pequeno”, mercante, com a vasta maioria (c. 80%) do contingente de artilharia, 447 homens (+ 1 navio, Águia Lusitana, com 117 artilheiros e António Texeira Rebelo), mas mais com equipagens) Não sei se algum dos irmãos, ou os três, iam nesse ou no outro transporte. Indica a dispersão da esquadra após Cartagena.

27.9.1793 – Esquadra arriba a CARTAGENA.

13.10.1793 – TAVIRA. Carlos assenta praça como soldado pé de castelo na Fortaleza de S. João da Barra do Registo de Tavira. Coincide com o primeiro dia da Aula Regimental de Tavira.

Dia-a-dia. Serviço em Cabanas e aulas como aluno extraordinário (60)

A Aula Regimental de Tavira divergia de outras da mesma altura, principalmente a Aula de Estremoz, no sentido em que existia junto do nominalmente Regimento de Infantaria de Faro, mas sediado em Tavira, capital política do Algarve. Matemática de Belidor.

9.11.1793 – Início dos desembarques em ROSAS (até 11)

(...) [faz o serviço normal na fortaleza e frequenta as aulas em Tavira]

F. S. João da Barra (Cabanas de Tavira) (1795): 1 2.ºTenente; 1 Sargento; 1 furriel, 3 cabos; 30 soldados (total de 36). + 1 peça de bronze, 6 peças de ferro, 2 agulh, 75 ballas de peça, 1 ½ morrão, 1 medida para as cargas; 8 pólvora; 1 polvarinho, 4 pás de ferro, 1 paçadeira de metal, 2 pés de cabra, 1 porta vos; 2 repucho d’dezencravar.
Obs. Para a guranição da Bateria da Torre Velha, e da Fortaleza de Canella, que lhe são subordinadas.

17.3.1794 – Carlos, já Sargento, é nomeado Ajudante da Praça de Portimão, nomeado pelo Capitão General. O jovem de 29 anos atinge o oficialato.

Ajudante de praça: Ant.: Oficial subordinado ao comandante ou governador duma praça de guerra, mas encarregado especialmente do seu serviço de segurança.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. I, Editorial Enciclopédia, limitada, 1936. p.694

Vai como oficial para o lado oposto do Algarve enquanto uma vaga não abre numa companhia do regimento ele mesmo, o que vem a acontecer em dezembro desse ano, quando ...

6.4.1794 – PORTIMÃO. Já se terá apresentado. AJUDANTE

Praça Nossa Senhora de Portimão (1795): 2 2.ºTenentes; 2 Sargentos, 2 Furrieis; 4 cabos, 30 Soldados (total de 40). + 1 peça de ferro, 46 bayonetas, 995 balas de peça, 492 cartuchos de espingarda, 45 espingardas, 162 granadas, 1 morrão, 143 pólvora, 2 picaretas, 400 pedreneiras.
Obs. Tem subordinadas tres fortalezas a da Nossa Senhora da Roxa, Carvoeiro e Castelo de Alvor, que deve fornecer com destacamentos.

Se foi nomeado a 17 de março, deve ter-se apresentado pouco tempos depois, pois Portimão ficava a a uns 100 quilómetros de Tavira e uns 60 de Faro, residência da sua família. Uma semana = 24 de março, final do mês, o mais tardar. Sendo que era uma efetiva promoção a oficial, o jovem ajudante não deve ter perdido tempo, quem sabe o tempo de mandar fazer a farda, seu novo uniforme.

Em Portimão, Carlos Frederico era o número dois da guarnição, ajudante do major da praça, muito possivelmente, nesse cargo, pelo serviço de segurança dos cerca de xx oficiais inferiores (nec NRP?) e praças que compunham a praça de Portimão, não só a cidade, mas também os fortes: de S. Bla bla ...

Carlos frequentou a aula regimental de Tavira por cerca de 8 meses, sendo nomeado ajudante pelo 6.º conde de Val de Reis.

2.1.1794 – Troca com o 1.º Tenente António Pimentel do Vabo e torna-se o 1.º Tenente da 9.ª companhia de artilheiros, no Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro.

17-20.11.1794 – Os três irmãos são feitos prisioneiros de guerra no Castelo de Figueras. 17 PdG oficiais de Art das 4 companhias.

27.11.1794 – 0700 – Rendição do Castelo de San Fernando de Figueras.


26.3.1795 – Promoção a 1.º Tenente, de acordo com DUARTE.

Já no dia 9 de agosto chegara ao exercito alliado ordem da corte de Madrid para a definitiva suspensão das hostilidades, ordem que o exercito francez tambem já tinha pela sua parte. No dia 4 de setembro levantou o campo o exercito portuguez, indo-se aquartelar em Banolas, onde se lhe veiu reunir a força, que tinha sido aprisionada em PuigCerdá. Nos ultimos dois dias do mez de setembro principiou a marchar o referido exercito para varios outros pontos, emquanto em Barcelona se apromptavam os transportes que tinham de o conduzir para Portugal. Foi no dia 28 de outubro que teve logar o seu embarque na mesma cidade de Barcelona, depois de ter soffrido a consideravel perda de quasi 2:000 homens n'estas terriveis e laboriosas campanhas de Roussillon, deixando na Catalunha immortalisada a sua fama pelo seu muito valor e actividade.

4.9.1795 – O EP levanta campo, e aquartela-se em Banolas. A força que havia sido aprisionada em PuigCerdá junta-se-lhe nesta LOCALIDADE.

29/30.9.1795 – EP marchou para vários pontos, à espera que se aprontassem os transportes em Barcelona.

7.10.1795 – Jorge Frederico, António Pedro e João Pedro graduados em 2.ª Tenentes respetivamente das 8.ª, 4.ª e ?.ª companhias de artilheiros, RegArtAlgarve
Ant Pedro (30.10 ?)

14.10.1795 – O Secretário de Estado assegura Bernardo Ramires Esquível que já foram expedidas as ordens ao Marechal General para o destacamento de 130 praças de artilharia para a guarnição da Nau Príncipe Real.

É de crer que até Novembro, o Governador de Armas do Reino do Algarve tenha recebido ordens para destacar duas companhias do Regimento de Artilharia, enviando-os para Lisboa onde fariam parte da guarnição da nau Príncipe Real.

A 9.11.1795, é nomeado o novo Governador do Algarve, D. Francisco de Melo da Cunha Mendonça e Meneses, Monteiro-Mor do Reino, que substitui D. Nuno José Fulgêncio de Mendonça e Moura, o 6.º conde de Val de Reis.

Suponho que no fim de Novembro, inícios de Dezembro, os tais 130 praças tenham ido para Lisboa, por mar ou terra. Pelo exemplo de 1793, foram de caíque para Lagos e aí embarcaram num navio de maior calado para Lisboa, mas a nau S. António creio que os acabou por levar também para a Catalunha. Como era para a Armada, a requisição dos homens, talvez tenham sido puxados recursos navais e deve ter sido semelhante ao dos outros irmãos.

28.10.1795 – Embarcam em Barcelona:
O comboio trazia a seu bordo uns 3:800 homens [4,824 ao embarque 2 anos antes], numero redondo, sendo 27 o numero das vélas mercantes de que se compunha. Era commandante de toda a tropa o tenente coronel mais antigo, Antonio de Lima Barreto, do 1.° regimento do Porto. [...]

Preferiram vir por terra para Lisboa, indo a maior parte a Madrid, o tenente general João Forbes Skellater, o marechal de campo D. João Correia de Sá, o quartel mestre general José de Moraes d'Antas Machado; os coroneis José Narciso de Magalhães e João Jacob de Mestral; o ajudante de ordens D. Miguel Pereira Forjaz; os tenentes coroneis D. Thomás de Noronha e Nicolau Joaquim de Caria; o tenente coronel de engenheiros Izidoro Paulo Pereira; o major da "mesma arma Manuel de Sousa Ramos; os capitães Damião Pereira, João Correia de Freitas e João de Torres Cabeça; o alferes Antonio Xavier da Gama Lobo; o capellão mór do exercito Nuno Henrique da Horta; o auditor geral do exercito; o thesoureiro geral do exercito José Maria Trinité, e o commissario pagador João Antonio de Figueiredo.

O transporte das tropas portuguezas da Catalunha para Portugal foi feito por embarcações hespanholas que para este fim se fretaram em Barcelona, transporte que ao erario regio portuguez custou a importante somma de 80:000 (51000 réis, mandados entregar á casa commercial d'aquella cidade, da firma D. Francisco Millan & C.a t Comboiaram as ditas embarcações hespanholas a fragata Diana e os bergantins Tártaro e Tocha, todos da mesma nação, sendo commandados todos pelo capitão de fragata D. Pedro Truxillo.

29.10.1795 – BARCELONA Saiu todo o comboio.
30.10.1795 – Dá à vela.

5.11.1795 – MÁLAGA Arribam a Málaga, por causa dos ventos fortes:
[...], e depois de ter ali dado fundo, um dos transportes garrou por causa do temporal, indo cair sobre aponta do molhe do lado esquerdo da entrada do referido porto. Felizmente não só se salvou a tropa, que em lanchas foi para terra, mas até o proprio navio, que conduzia 390 praças do regimento de Peniche com o seu sargento mór commandante.

O fortissimo vento e mar do SE. foram as causas da arribada ao porto de Malaga, para se evitar algum naufragio no estreito de Gibraltar.

10-11.12.1795 – LISBOA Entram no Tejo. A 11, desembarcam logo alguns corpos:
[...] desembarcando alguns corpos no mesmo dia 11 em Lisboa, onde foram recebidos no meio do mais vivo enthusiasmo, tanto da parte dos seus moradores, como da sua guarnição, chegando no melhor estado que se podia esperar, depois das multiplicadas fadigas e trabalhos por que passára nos Pyrenéos, exposta ás inclemencias de dois successivos invernos.

11.12.1795 –
O principe D. João, governador do reino, que no dia 11 vinha de Queluz para o palacio das Necessidades para dar audiencia aos pretendentes, como então se praticava, logo que soube da chegada de alguns d'aquelles transportes ao porto, foi embarcar ao caes de Belem para os ir visitar, mandando ao mesmo tempo avisar as pessoas, que estavam para lhe fallar, que entregassem os seus requerimentos e se retirassem.

12.12.1795 –
No seguinte dia (12 do referido mez), foi o mesmo principe com a princeza sua esposa presencear da varanda do jardim de Belem o desembarque dos mais corpos, que se effeituou n'aquelle mesmo caes. Formados que foram no respectivo largo [LARGO DE BELÉM], o principe desceu da varanda, ao tempo que desfilavam, para dar beijamão aos officiaes recemchegados. Grande multidão de gente se achava na praça de Belem no acto do desembarque, bem como em todas as ruas por onde tinham de passar, victoriando-os pelos seus triumphos e gloria que adquiriram tanto para si, como para o seu paiz.

Entre o dia 12 e o dia 25, transcorrem 14 dias. Sabendo que a Esquadra do Brasil parte a 25, Carlos já estaria decerto em Lisboa, talvez já embarcado, há algum tempo. Carlos terá com certeza assistido, bastando dizer ao seu comandante que tinha três irmãos entre os que regressavam agora da Catalunha.
Não sendo possível averiguar definitivamente se os três irmãos vieram embarcados neste comboio é de crer que sim, pois os dois irmãos que foram prisioneiros de guerra, nenhum deles esteve nesta situação por mais de 9 meses (Jorge Frederico, 9 meses, e João Pedro, 8) e houve tempo suficiente para chegassem a Barcelona a tempo de embarcar.


25.12.1795 – LISBOA Parte a Nau Príncipe Real para o Brasil, onde Lecor está destacado como 1.º tenente de artilharia.

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